NovidadesTecnologia

IA nas empresas: 72% no estágio inicial, mas 95% já veem resultados

10 fev 2026 5 minutos de leitura

Tópicos

Carregando...

A inteligência artificial deixou de ser um experimento para virar realidade operacional. Mas um dado recente da Brazil Panels revela o paradoxo que define o momento atual: 72% das empresas brasileiras ainda estão nos estágios iniciais de adoção de IA, enquanto 95% das que já avançaram reportam aumento de receita média de 31%.

O gap não é tecnológico. É estrutural.

Esse descompasso não reflete falta de interesse ou orçamento. Segundo estudo da AWS com 9 milhões de empresas brasileiras, 40% já utilizam IA sistematicamente. O problema está em como utilizam. A maioria opera em regime de experimentação descoordenada, com 47% dos profissionais usando ferramentas de IA de forma extraoficial — o chamado Shadow AI — sem políticas corporativas ou governança definida.

O custo invisível da adoção informal

Shadow AI não é apenas uma questão de controle. É risco operacional direto. Quando 59% das empresas brasileiras não possuem políticas formais para uso de IA, conforme apontou a pesquisa da Brazil Panels, o resultado prático é exposição de dados sensíveis, decisões baseadas em outputs não auditáveis e inconsistências que minam a confiança nos sistemas.

Para empresas de médio e grande porte, esse cenário cria um paradoxo perigoso. Gestores pressionam por resultados com IA, mas sem estrutura de governança, os ganhos se diluem em retrabalho, correções e incidentes de conformidade. O ROI prometido se transforma em custo oculto.

O Brasil já registra casos onde o uso inadequado de IA gerou prejuízos operacionais equivalentes a 2-3 vezes o investimento inicial em automação. A falta de rastreabilidade de decisões automatizadas, combinada com ausência de políticas claras, expõe empresas a riscos regulatórios crescentes, especialmente em setores como financeiro, saúde e compliance fiscal.

De experimentação para operação

A transição do estágio inicial para maturidade em IA não exige investimentos astronômicos. Exige método. Empresas que atingiram resultados mensuráveis seguiram três movimentos estruturantes.

Primeiro, definiram casos de uso concretos com KPIs claros. Marketing e atendimento ao cliente lideram com 24% de adoção cada, não por acaso: são áreas onde o impacto é mensurável rapidamente e o risco de exposição de dados críticos é menor.

Segundo, estabeleceram governança antes de escalar. Isso significa políticas documentadas sobre quais ferramentas podem ser usadas, como dados devem ser tratados e quem é responsável por validar outputs. Não é burocracia. É condição para confiar em decisões automatizadas.

Terceiro, investiram em capacitação técnica e cultural. A Brazil Panels identificou que parte da resistência vem do receio de substituição no mercado de trabalho. Empresas que trataram IA como ampliação de capacidade humana, e não substituição, obtiveram adoção mais rápida e resultados superiores.

O momento de estruturar é agora

O cenário de 2026 não permite mais o luxo da indefinição. Com 70% das empresas investindo em IA por pressão competitiva, mas sem estratégia clara, o diferencial estará em quem consegue operacionalizar com disciplina.

As startups brasileiras já demonstram isso: 29% atingiram estágios avançados de maturidade em IA, contra apenas 12% das empresas tradicionais. A diferença não está em orçamento ou acesso a tecnologia. Está em velocidade de decisão, governança leve mas efetiva, e foco em casos de uso com retorno rápido.

Para empresas de médio e grande porte, o caminho não é adotar tudo de uma vez. É começar com um ou dois processos críticos, estruturar governança mínima, medir resultados com rigor e escalar apenas quando houver evidência clara de ROI. Sistemas de automação fiscal, por exemplo, combinam alto impacto operacional com risco controlado — eliminam trabalho manual repetitivo, mantêm rastreabilidade total e geram conformidade por design.

A IA não é mais uma aposta de futuro. É uma realidade de presente que exige estrutura. Empresas que saírem da fase de experimentação para operação disciplinada terão vantagem competitiva mensurável. As que permanecerem testando sem método vão descobrir que o custo de não decidir é maior que o custo de decidir errado.

Como sua empresa está estruturando a adoção de IA? Compartilhe nos comentários ou converse com quem já passou por essa transição.

Assine nossa
newsletter

Fique sempre por dentro das
novidades com a Webmania